
Num sábado de frio, garoa e preguiça, a
movimentação num restaurante “self-service” a cheiro e gosto de
feijoada, fez lembrar algumas curiosidades da silvicultura. Gente
bonita, gente feia, gente com família, gente solitária! Gostos? De todo
o tipo: só feijoada ,só macarrão, só comida japonesa e todas as
combinações possíveis ! assustou-me, no entanto, o apetite de um
“corinthiano” meio assustado com o prato redondo de comida japonesa,
macarronada,peixe ensopado e feijoada ! E a nossa silvicultura onde
entra nessa feijoada com macarronada?
A resposta está nas constatações de campo: serviços de todo o tipo; as
mais variadas justificativas para esse ou aquele procedimento; as mais
diversas finalidades desse ou daquele empreendimento; floresta para isso
ou para aquilo; madeira para tudo! Um punhado de dúvidas, mas uma
certeza: no final da linha alguém paga a conta e estamos conversados!
Simples de mais, se não fosse para uma atividade que há anos, vem
lutando para desmistificar inúmeros erros técnicos cometidos no passado
e que deixaram marcas indeléveis e de alto custo para o setor. Saímos
de uma silvicultura conhecida como “deserto verde” e já temos
excelentes exemplos de silvicultura sustentável !!! Mas como justificar
alguns retrocessos em nossos procedimentos silviculturais ?
Anotem as pérolas: discussões e dúvidas sobre procedimentos
cientificamente comprovados; justificativas para as mais diversas
variações de espaçamentos ou quase sem espaçamento ( ! ), competição
nutricional, sistemas e fórmulas mágicas para adubar ou para não
adubar, clones milagrosos,e por aí vai...! Realmente, é de assustar, é
de se preocupar e se não cuidarmos, vai ser de chorar!
E o pior é que, por mais que se exponha a indignação dos que fizeram,
viveram e conheceram a história, as dificuldades superadas e os saltos
tecnológicos de nossa silvicultura, nada muda ! É impressionante a
quantidade de desavisados que, insistentemente, procuram detalhes sobre
as fantasiosas ofertas anunciadas pelos vendedores de sonho!
É aquela espécie, cuja madeira vale um caminhão de ouro e que cresce
de forma assustadora; é aquela forma de manejar florestas que leva à
produtividades incomparáveis;enfim,uma coletânea de promessas sem nenhum
comprometimento com a ética profissional e que só encontra espaço com
os desavisados, que caem no setor, alguns, até mesmo, verdadeiros
espertalhões, procurando uma beirinha em oportunismos da moda. Para
esses oportunistas, o cruzamento com os vendedores de sonho é o que há !
No entanto, não tenhamos dúvidas, que também estamos queimando
excelentes oportunidades com grandes empreendedores que poderiam
crescer no setor, diversificar interesses e fortalecer a silvicultura
brasileira!
Da feijoada despretensiosa a essas comparações com a silvicultura
ficou uma lição: no restaurante - mesmo que se tenha inúmeras
alternativas para escolha, não se iluda e não misture! Saiba o que serve
adequadamente para sua alimentação e não se deixe levar pelos adornos
gastronômicos! na silvicultura - use tecnologia, respeite os resultados
de anos de experimentações e pesquisas e não se deixe cair em atalhos
que não possuem comprovações científicas!
Mas que atalhos? A silvicultura brasileira tem profissionais altamente
capacitados e de reconhecida competência. Não precisa nenhuma mágica
para localizá-los.! Com certeza, esses competentes e éticos
profissionais saberão indicar os atalhos que devem ser evitados! Na
dúvida, dê um pulinho nas universidades ou nos centros de pesquisas
florestais e invista com segurança na silvicultura brasileira!